Havia apenas la balsa - uma balsa de madeira que balançava com a maré e ñao carregava mais do que quatro carros por vez. Só se podia atravessar de dia, esperando o clima se acalmar, e a paciência fazia parte da jornada.
Aqueles que faziam a atravessia deixavam para trás o burburinho de Punta del Este em busca de algo mais quieto, mais autêntico: uma paisagem rural que, anos mais tarde, daria origem a Las Cárcavas. Cavalos pastavam perto das cárcavas, os piqueniques aconteciam à sombra dos pinheiros e cada visita terminava antes do anoitecer, quando a balsa parava seu tranquilo vai e vem.
Não era uma viagem, era uma grande aventura.
Você ficava de pé ao lado do seu carro, observando as ondulações da luz do sol dançar na água. Chegar ao outro lado era encontrar-se cercado por nada além de quietude — uma beleza indomada que parecia quase secreta.
Em 2015, a ponte circular do arquiteto Rafael Viñoly se estendeu pela lagoa, transformando aquela costa oculta em uma promessa — ainda remota, ainda selvagem, mas de repente alcançável.
No entanto, a alma da Laguna Garzón nunca mudou. O vento ainda sussurra entre os juncos. Os kitesurfistas ainda deslizam sobre sua superfície vítrea. E os pássaros, eles retornam todos os anos, como se chamados de volta pela luz.
Laguna Garzón permanece um santuário protegido — parte da Reserva da Biosfera da UNESCO, onde mar e campo, céu e silêncio, coexistem em perfeito equilíbrio.
Aqui, a natureza se move em seu próprio ritmo. Não se apressa. Perdura. E em Las Cárcavas, somos simplesmente seus convidados agradecidos.